segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Compassivos à parte

A raça humana me enoja,
E me encanta,
E me aloja,
E me espanta.

Como pode ser tão bondosa,
Tão honesta, tão sensível,
E, ao mesmo tempo,
Criar um terror inadmissível?

Abro um dicionário,
“Humano” é a palavra que desejo,
E me espanto ao ler
“Bondoso, benfazejo”

Suas guerras não são bondosas,
Sua violência não faz bem,
Mas o amor e a poesia,
Ainda interrompem o meu desdém.

Estamos repletos de paixão,
Inspiração, arte,
Mas de que adiantam esses dons,
Se é da guerra que eles fazem parte?

A humanidade cria armas,
Converte os homens bondosos.
 E aquele que solta pragas,
Um dia já soltou fogos.

Dizem que é impossível encontrar a paz,
Que a crueldade já se instalou no mundo.
E nem tentam expurgá-la,
Por um único segundo.

Afirmam que o homem é bondoso,
E é a arma que devemos temer.
Mas a arma não atinge aquilo,
Que o soldado não pode ver.

domingo, 21 de outubro de 2012

Realidade

O céu está nublado,
A chuva a cair.
E o palhaço desempregado,
Já não quer mais sorrir.

As flores foram queimadas,
Os sem-teto sentiram frio,
Na madrugada,
No vazio.

As crianças têm pesadelo,
Desde a hora de acordar até a hora de dormir.
E com o coração de gelo,
Já não vejo mais sorrisos por aqui.

As cinzas caem na terra,
E na terra não nascem mais flores
Vivemos em uma imensa guerra,
Sem risos, sem amores.

A felicidade do mundo acabou,
Como acaba um amor de verão.
Você sabe que chegará ao fim,
Mas ainda dói o coração.

Panelas e tampas

Toda panela tem sua tampa,
Toda meia tem seu par.
Toda mulher que dança,
Com um homem prefere dançar.

Todo anel tem seu dedo,
Toda moeda tem seu chafariz.
E nos momentos de medo,
A dama sempre tem quem a faça feliz.

A Lua tem suas estrelas,
O Sol ter nuvens, não é difícil.
E até o céu nublado,
Pode ter fogos de artifício

A luva tem sua mão,
A mesa tem sua cadeira.
Mas, se toda panela tem sua tampa,
Acho que sou uma frigideira.

Desabafo

Amar está cada vez mais complicado. Não falo desse amor que todos dizem sentir, talvez pelo ídolo, talvez pelos pais ou até pelo melhor amigo. Falo daquele amor água com açúcar, estilo Romeu e Julieta com um toque de Nicholas Sparks. Falo daquela sensação única de sentir o coração bater mais forte e as maçãs do rosto avermelharem gradativamente. Aquela sensação mágica ao sentir o coração de outra pessoa bater no mesmo ritmo e compasso que o nosso. A sensação de ser aquecido pelo mais apaixonante calor humano em uma tarde de inverno. Esse calor que somente dois corpos apaixonados conseguem criar. Falo desse tipo de amor. Um amor infinito, incessante e maravilhoso. Aquele amor cheio de carinhos, palavras doces e sorrisos. Esse tipo de amor, esse amor puro e sincero é que está fazendo falta ultimamente. É o amor sem segundas intenções, desejos ocultos ou aproveitamentos. Está faltando nessas pessoas a vontade de amar sinceramente. Falta essa habilidade nas pessoas. A habilidade de ver a beleza e somente a beleza das coisas. Não, não estou falando que as pessoas não são superficiais, pois elas são. Estou falando que a sociedade, de uns tempos para cá, tem se aproveitado das pessoas. Afinal, diga-me: Quantas vezes amaste verdadeiramente? […] Admita que você já disse amar olhando a aparência sem ver a personalidade. Admita que você já mentiu para ganhar algo em troca. E não falo somente de você. Vamos concordar que toda a raça humana é desprezível e por isso gostam de aproveitar-se uns dos outros. Agora, se já amou e foi amado verdadeiramente, tudo em uma mesma relação, parabenizo-te, pois, como já disse, um amor de verdade está raro. As pessoas estão sentindo uma coisa totalmente diferente que insistem em chamar de amor. Sentem desejo, vontade ou uma paixão passageira, mas amor… ah, poucos realmente sabem o que é amor. Poucos realmente conhecem o seu poder. Pode parecer meio clichê, mas, afinal, acho que o amor tem de tudo um pouco. Pode parecer meio bobo mas as pessoas têm se preocupado mais em dizer que amam do que amar. É uma questão de status, de vontade. Do tipo “Olha, o Derp namora.” ou “Nossa, que pegador.” E esse é o problema. As pessoas estão mais preocupadas com o que os outros acham delas do que com o que elas acham dos outros, mas não é bem assim. O amor é como um desses eletrônicos que nem sei se existiam na minha época, com seus manuais grossos em inglês ou espanhol. O amor é difícil e cansativo de compreender, é complicado de se sentir, mas o resultado, na maioria das vezes, é maravilhoso. Quer uma prova? Olhe para o seu melhor amigo. Você o ama não é? Não é maravilhoso esse sentimento? O amor “água com açúcar” é isso vezes oito deitado. Não que eu seja especialista no amor, mas também não sou cega. Já sofri muito com gente que dizia amar e agora diferencio amor e falsidade como um gênio diferencia manteiga e margarina. E agora que eu aprendi que amor é diferente de um simples e maldoso desejo, não vou mais me iludir com o que esses ingênuos chamam de amor.Mal eles sabem o prazer de ouvir um “eu te amo” e ter uma certeza absoluta de que é verídico. Mal eles conhecem a sensação excepcional de abraçar alguém especial em um fim de tarde de domingo. E aposto que essa gente que diz “amar” nunca leu um dos romances de Nicholas Sparks e pensou “Quero que isso aconteça com nós dois”.

(escrevi e abri “Um Amor Para Recordar” na página 27)

Folhas de Outono

É fim de tarde,
As folhas caem,
O Outono está em seu ápice.
O sol mergulha pro trás das montanhas
E as sombras estão a se alongar.

O vento sopra os cachecóis,
Dos homens que voltam para casa.
Exaustos, depois de tanto esforço,
De tanto trabalho árduo.

A lua se ergue,
Majestosa, lúgubre, branca.
E em nosso cenário,
Restam apenas duas crianças,
Em uma discussão
“Por que você não assume?”
Grita a menina ao irmão
“Por que não confessa que eu cacei mais vagalumes?”

Chorar

No mar não pesa nada,
No olho uma tonelada.
Pequena, transparente e salgada,
Praga da alma iluminada.

Como um vício incessante,
Escorre uma atrás da outra.
Se a fraqueza prevalece por um instante,
A lágrima fica solta.

Pintando a face rosada,
Daquele que sente a dor.
Aquela tristeza acumulada,
Que, um dia, transbordou.

Deixando uma marca eterna,
Daquelas tristezas passadas.
Expondo a fraqueza interna,
Com a tinta brilhante, transparente e salgada.

Our love was a fairy tale

Eu passei a querer viver um conto de fadas com você naquele dia em que nós vimos Shrek pela décima segunda vez. Rodeada pelos teus braços e arrepiada por sentir teus lábios quentes pressionando minha testa… depois meu rosto… e meu pescoço. Noite fria de meio de inverno, aquecida por teu corpo e pelo calor que meu próprio corpo produzia ao te ter ao meu lado. Você nunca foi perfeito. Era ciumento, era preguiçoso. Mas o que importava mesmo era que você era perfeito e feito para mim. E com esse pensamento invadindo minha mente cada vez mais e mais eu passei a querer uma vida perfeita sem saber que eu já a tinha só por te ter ao meu lado. Peculiarmente perfeito era o nosso modo de viver. Você nunca foi bom em video-games, lembra? Então, quando o meu irmão ganhava de você, o que fazia? Sim, ficava nervoso e jogava o controle no chão. E eu ria da sua cara. E perguntava se estaria em casa semana que vem. E você sorria e me abraçava até que eu caísse no sono em seus braços. Sim, eu me lembro daquela época. Quando eu acordava e via seu sorriso aberto especialmente para mim e percebia que você tinha me colocado do lado errado da cama. É, eu estava do lado errado da cama certa. Certa por estar o seu lado. Então eu sorria de volta e bagunçava o seu cabelo e você piscava para mim e abria aquele meio-sorriso que destacava suas covinhas. Era nesses momentos tão simples, tão comuns, tão singelos e delicados que eu percebia o quanto minha vida era perfeita só por te ter ao meu lado. Eu percebi a alegria da vida naquele dia em que você estava bêbado e ficava mandando cantadas para mim sem saber que eu já te amava, e eu ria, e ria, e minha vida se tornava mais feliz. Eu percebi a perfeição da vida quando nós caminhávamos no parque e uma borboleta pousou no meu cabelo e você a espantou achando que era uma mariposa. E o velhinho que lia jornal sentado no banco olhou-nos, abaixou os óculos redondos e disse “ah, esses lepidópteros”. Eu percebi a perfeição do amor no dia em que nós planejamos o nosso futuro. Você queria dois filhos, mas eu queria um só. Você queria viver em uma casa e eu em um apartamento. Você queria viver no campo e eu na cidade. Lembra disso? Até começamos uma discussão que não pode ser aprofundada porque você acabou com ela roubando-me um beijo e sussurrando no meu ouvido “Qualquer futuro será bom se você estiver ao meu lado” E eu percebi como a perfeição podia ser simples quando vi seu sorriso pela primeira vez. Vivi o conto de fadas mais perfeito, no qual meu príncipe sempre foi você