segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Compassivos à parte

A raça humana me enoja,
E me encanta,
E me aloja,
E me espanta.

Como pode ser tão bondosa,
Tão honesta, tão sensível,
E, ao mesmo tempo,
Criar um terror inadmissível?

Abro um dicionário,
“Humano” é a palavra que desejo,
E me espanto ao ler
“Bondoso, benfazejo”

Suas guerras não são bondosas,
Sua violência não faz bem,
Mas o amor e a poesia,
Ainda interrompem o meu desdém.

Estamos repletos de paixão,
Inspiração, arte,
Mas de que adiantam esses dons,
Se é da guerra que eles fazem parte?

A humanidade cria armas,
Converte os homens bondosos.
 E aquele que solta pragas,
Um dia já soltou fogos.

Dizem que é impossível encontrar a paz,
Que a crueldade já se instalou no mundo.
E nem tentam expurgá-la,
Por um único segundo.

Afirmam que o homem é bondoso,
E é a arma que devemos temer.
Mas a arma não atinge aquilo,
Que o soldado não pode ver.

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