Amar está cada vez mais complicado. Não falo desse amor que todos dizem sentir, talvez pelo ídolo, talvez pelos pais ou até pelo melhor amigo. Falo daquele amor água com açúcar, estilo Romeu e Julieta com um toque de Nicholas Sparks. Falo daquela sensação única de sentir o coração bater mais forte e as maçãs do rosto avermelharem gradativamente. Aquela sensação mágica ao sentir o coração de outra pessoa bater no mesmo ritmo e compasso que o nosso. A sensação de ser aquecido pelo mais apaixonante calor humano em uma tarde de inverno. Esse calor que somente dois corpos apaixonados conseguem criar. Falo desse tipo de amor. Um amor infinito, incessante e maravilhoso. Aquele amor cheio de carinhos, palavras doces e sorrisos.
Esse tipo de amor, esse amor puro e sincero é que está fazendo falta ultimamente. É o amor sem segundas intenções, desejos ocultos ou aproveitamentos. Está faltando nessas pessoas a vontade de amar sinceramente. Falta essa habilidade nas pessoas. A habilidade de ver a beleza e somente a beleza das coisas. Não, não estou falando que as pessoas não são superficiais, pois elas são. Estou falando que a sociedade, de uns tempos para cá, tem se aproveitado das pessoas. Afinal, diga-me:
Quantas vezes amaste verdadeiramente? […] Admita que você já disse amar olhando a aparência sem ver a personalidade. Admita que você já mentiu para ganhar algo em troca. E não falo somente de você. Vamos concordar que toda a raça humana é desprezível e por isso gostam de aproveitar-se uns dos outros. Agora, se já amou e foi amado verdadeiramente, tudo em uma mesma relação, parabenizo-te, pois, como já disse, um amor de verdade está raro. As pessoas estão sentindo uma coisa totalmente diferente que insistem em chamar de amor. Sentem desejo, vontade ou uma paixão passageira, mas amor… ah, poucos realmente sabem o que é amor. Poucos realmente conhecem o seu poder. Pode parecer meio clichê, mas, afinal, acho que o amor tem de tudo um pouco. Pode parecer meio bobo mas as pessoas têm se preocupado mais em dizer que amam do que amar. É uma questão de status, de vontade. Do tipo
“Olha, o Derp namora.” ou
“Nossa, que pegador.” E esse é o problema. As pessoas estão mais preocupadas com o que os outros acham delas do que com o que elas acham dos outros, mas não é bem assim. O amor é como um desses eletrônicos que nem sei se existiam na minha época, com seus manuais grossos em inglês ou espanhol. O amor é difícil e cansativo de compreender, é complicado de se sentir, mas o resultado, na maioria das vezes, é maravilhoso.
Quer uma prova? Olhe para o seu melhor amigo. Você o ama não é? Não é maravilhoso esse sentimento? O amor “água com açúcar” é isso vezes oito deitado. Não que eu seja especialista no amor, mas também não sou cega. Já sofri muito com gente que dizia amar e agora diferencio amor e falsidade como um gênio diferencia manteiga e margarina.
E agora que eu aprendi que amor é diferente de um simples e maldoso desejo, não vou mais me iludir com o que esses ingênuos chamam de amor.Mal eles sabem o prazer de ouvir um “eu te amo” e ter uma certeza absoluta de que é verídico. Mal eles conhecem a sensação excepcional de abraçar alguém especial em um fim de tarde de domingo.
E aposto que essa gente que diz “amar” nunca leu um dos romances de Nicholas Sparks e pensou “Quero que isso aconteça com nós dois”.
(escrevi e abri “Um Amor Para Recordar” na página 27)